Caiu na rede, é peixe!


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Blogueira que se preza, se inspira no cotidiano. Assim, a inspiração para um determinado tema surge nos lugares mais inusitados: enquanto ando pela rua; num transporte público; num salão de beleza; no almoço. Foi exatamente prestando atenção na conversa alheia durante o almoço que comecei a refletir sobre as redes sociais.

Como flor eclética sociável que sou, é bom que fique claro que tenho muitos amigos. Meus amigos se distribuem por várias faixas etárias, orientações sociais, estados civis, etnia, religião. Há amigos que vejo sempre e aqueles com quem quase nunca estou, presencialmente. E aí entram as redes sociais.

As redes sociais podem ser uma ferramenta muito útil para aproximar pessoas que se querem bem mas também podem ser uma maneira de se manter uma falsa relação e a ilusão que se têm muitos amigos. Deste modo, o que deveria ser uma rede social se torna uma mídia social: instrumento para a disseminação em massa de uma propaganda de nós mesmos.

Disse que me inspirei numa conversa alheia. Pois bem: a conversa era entre duas garotas que comparavam quantos amigos virtuais tinham (cada uma com quatro dígitos) e quantas curtidas recebiam dos “amigos” em suas postagens.

Fiquei pensando sobre essas duas flores conversadeiras e imaginei que elas eram rosas de floricultura, daquelas produzidas para serem olhadas. O triste era que elas se vendiam assim. Tanto que a primeira providência quando o almoço chegou foi de fotografar o prato e postar, junto com tantas outras selfies, planejadas e posadas, num frenesi midiático.

Aquele comportamento narcísico me incomodou um tantinho. Tive vontade de perguntar se elas conseguiam falar presencialmente com seus mais de mil amigos pelo menos uma vez ao ano, ou dar um telefonema para ouvir a voz de vez em quando.

Isto me fez pensar no meu uso das  redes sociais (sim, redes e não mídias). Nelas, só está quem eu acho que merece e o que posto, acredito que meus amigos de verdade vão ver e entender. Mensagens só são enviadas quando há necessidade real de interação. Nada de um bom dia sem propósito ou de um boa noite sem necessidade. Eles e elas sabem que os quero muito bem e que mesmo o silêncio é às vezes necessário nas relações interpessoais.

Pensando nisso, quero finalizar dizendo que quem está na minha rede é meu peixe, termo usado por um jogador de futebol do passado para designar seus amigos e parceiros. Quem está nas minhas redes não é de modo nenhum um quase anônimo que vi uma vez na vida, uma pessoa cujos hábitos só conheço da mídia social, mas ser de carne, ossos, desejos e coração.

Beijos sociais de uma flor conectada!

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