Vida boa é a do outro


29Adorei a ideia de escrever sobre pessoas que estão no “topo da cadeia alimentar”. Aqueles que estão nesse nível se destacam por algum motivo, logo existem muitas cadeias alimentares. Há indivíduos que podemos classificá-los assim por beleza, intelecto, simpatia, charme, sucesso profissional, condições financeiras, equilíbrio emocional… e em outros tantos aspectos.

Lembro que a expressão que nos motivou a escrever os textos, foi inspirada no filme “O Rei Leão”, exatamente no trecho em que o Rei Mufasa conversa com Simba, seu filho, sobre a harmonia da natureza, explicando o significado da cadeia alimentar.

Mas pensando melhor sobre o assunto, mesmo a definição estando clara, imagino que a condição de estar no topo da cadeia alimentar consiste apenas em uma percepção e normalmente ocorre de fora para dentro, do observador para o observado. Talvez a classificação atribuída a alguém seja somente o desejo de ser o outro, ou de ter o que a pessoa possui. Também esse desejo pode desencadear vários sentimentos como admiração, inveja, raiva, motivação, auto comiseração, etc.

E ainda, complementando, o olhar do outro nem sempre corresponde a percepção que se tem de si. Não é porque alguém me acha inteligente que obrigatoriamente vou me perceber assim e não é incomum esta lógica funcionar de maneira contrária. Quantas vezes não vemos mulheres consideradas lidas e perfeitas, de acordo com os padrões estabelecidos, e elas dizerem que não gostam disso ou daquilo, detalhes que para a maioria das pessoas são imperceptíveis? Ou aquelas pessoas que estão no “topo da cadeia alimentar” por acharmos que são muito felizes, tem sucesso, uma bela família e proporcionarem estabilidade financeira até ao tataraneto, mas que no íntimo gostariam de estar em Ponta Negra, surfando em frente a Barraca de Maradona, tomado água de coco e comendo peixe frito, no intervalo entre uma onda e outra? Claro que estou usando exemplos hiperbólicos, mas na vida real é por ai!

Então, chego à conclusão que essa coisa de posicionamento na “cadeia alimentar” realmente existe, que cada um de nós pode estar classificado nesse ranking por algum motivo, mas o topo que os outros enxergam, invariavelmente, não é o mesmo que vemos, estamos ou desejamos alcançar.

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