Royal cinema


28Nosso desafio da semana foi escrever sobre três filmes. Devo dizer que este foi um desafio muito difícil por dois motivos: em primeiro lugar não sou uma cinéfila gabaritada para tecer comentários qualificados; em segundo, como flor romântica que sou, geralmente o que me atrai é meio fora de esquadro. Vou então falar de três filmes que me tocaram, e quem sabe, encontre quem goste também. E vou procurar não dar spoiler!

Vou começar por Happy Feet, o filme do pinguinzinho diferente do seu grupo. Essa história me toca por diversos motivos e não consigo assistir o filme sem chorar. Aliás, difícil assistir qualquer filme que gosto sem chorar, mesmo! O primeiro ponto que me prendeu no filme foi a origem de Happy Feet. Ele foi um ovo perdido. Seu pai o encontrou no meio do tumulto dos pinguins. Talvez poucos percebam essa cena no começo. Depois, ele vai crescendo fora da casinha, ou seja, fora daquilo que é o padrão esperado do seu grupo, como conversamos em texto anterior. Estar fora da casinha pesa muito e de muitas formas. Há o amor que ele pensa não ser correspondido e inoportuno para o grupo de referência; a decisão difícil de sair do grupo; a depressão quando se vê só e isolado. E o que mais gosto: a grande reviravolta quando ele supera todas as dificuldades por conseguir perceber o que ninguém mais vê e, de certo modo, salva o grupo que o rejeitou. Mas o importante é que faz o grupo ver que o diferente também pode ser bom.

O Rei Leão é uma saga entre amigos e um lembrete que a amizade é essencial e que os papéis esperados e os símbolos de status não significam muito na vida prática. O leão, que teoricamente deveria ser deveria estar no topo da cadeia alimentar, está sozinho e frágil quando fica amigo de um javali e de um suricato. A bondade do javali e a esperteza do suricato são essenciais para a recuperação do leão e para o seu crescimento pessoal. Lição: por mais signos de status que você tenha, nenhum deles vai superar a necessidade de dar e receber afeto, o que é essencial para a construção do ser humano.

O terceiro filme, também um desenho animado, Procurando Nemo, tem uma cena que considero clássica e da qual me lembro sempre que a vida não anda de acordo com meus desejos. Dori, a peixinha esquecida, canta “Continue a nadar, continue a nadar…” Ou seja: persevere; não desista; leve a vida com alegria a despeito do contexto. É ela, Dori, a minha personagem principal no filme. É ela quem, mesmo fora dos padrões, consegue trazer esperança onde parece só haver dor e adversidade. Para mim, a heroína é ela e não Nemo.

Preciso dizer ainda que essa conversa toda acabou sendo terapeutizante. Como flor que não se adequa aos vasos e cachepôs, fazer essa viagem ao mundo do cinema e, consequentemente ao meu mundo interior, renovou minha fortaleza, minha alegria e minha fé na vida. Por isso esses filmes são meu royal cinema.

Beijos floridos, prolongados e mordiscados para vocês porquê agora vou assistir um filme romântico! Qual? Depois eu conto…

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