Sonho mesmo! E daí?


21O que é um sonho? De acordo com meu querido amigo (imaginário) psicanalista alemão e pai da Psicanálise, os sonhos são a forma como o inconsciente e consciente se encontram, realizando desejos de uma forma muito complexa. Os sonhos, aqueles que sonhamos dormindo, são compostos de restos do dia e daquilo que está no âmago do nosso inconsciente.  Sonhos então são uma forma de extravasar o que nos consome, o que nos arrebata e o que nos amedronta.

Mas existem aqueles sonhos que sonhamos acordados. Aqueles sonhos muito conscientes embora muitas vezes descabidos. E sendo uma flor autorreferente, é desses sonhos que quero falar.

Tenho uma teoria: se vivêssemos com os pés no chão sempre, nunca iríamos a lugar algum. Um tanto de idealização e irrealidade é necessário para permitir que possamos avançar. Pensando bem, toda realização começa com um sonho daqueles que sonhamos acordadas. Sejam no nível pessoal, profissional ou afetivo.

Vou contar um sonho que tive um tempo atrás. Talvez esse sonho tenha nascido da complexidade do meu dia a dia, não sei direito. Sei que não e fácil falar dele, mas eu preciso fazer isso, já que nossa proposta é compartilhar vivências.

Sonhei com um príncipe. Ele não tinha cavalo branco, nem espada, nem armadura. Ele tinha modos de rei, a fala pausada e leve. O olhar inquietantemente profundo desses que vêem a gente pelo avesso. Não era um olhar sexy nem invasivo mas um olhar prescrutador.

No meu sonho ele me treinou como o mestre fez com Karatê Kid, ou como um mago faz com seu aprendiz.

E eu tive que lutar o pior dos combates com meus próprios demônios…

Tive que enfrentar o medo de abrir as asas de dragão e voar.

Precisei me olhar no espelho e me ver como realmente sou.

Precisei me limitar onde não desejaria e extrapolar limites onde não sabia que podia.

Sonhei com um príncipe…

Não é meu, mas é… E somente meu porquê é sonho.

Não é príncipe, mas é no seu cavalo branco dos seus papos cabeça que eu galopo para além dos meus limites.

Não vai me salvar porquê não estou perdida, mas foi nos sonhos que me fez sonhar  que me encontrei.

Sonhei com um príncipe e descobri: não era sonho dormido! Era a vida dizendo: “acorde!”

Eu sonho… E você?

Fragmentos


21São difíceis descrever com palavras, porque eram mais sentimentos e sensações. Quase sempre ELES são assim. Mas o lugar era lindo. Não sei como fui parar ali, mas também isso pouco importa. Havia água, algo parecido com um lago… dentro de alguma coisa semelhante a cratera de um vulcão. Também vi pessoas que pareciam moram naquele lugar. Nadava com alguém… não, flutuava na água. Mas não lembro quem estava comigo!

***

Não sei porque ela. Tão improvável, tanto tempo que não a vejo… não vejo nem desejo… talvez um dia já tenha desejado, não lembro. Foram momentos agradáveis durante o sonho. Não recordo de detalhes.

***

QUANTO TEMPO DURA UM SONHO?

– Já estamos atrasados! Acorde!!!

– Só mais um minuto…

Cochilo de novo.

– Vamos, levante-se!!!

Outro cochilo.

Click, click…. (máquina fotográfica).

– Porque bateu minha foto dormido?

Pronto. Agora desperto, lembro do sonho, relativamente longo, ocorrido entre o último cochilo e som emitido pelo obturador da câmera.

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Outra vez, a mesma casa. Eu conheço essa lugar e como conheço. Sempre em construção (nos sonhos), maior do que ela é, inacabada. Imponente, mas sempre inacabada. Tijolo, cimento, paredes sem reboco, chão sem piso… sempre inacabada. O dono da casa, feliz em mostrar aquela “obra”.

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Ela é minha irmã e conversamos. Não sei explicar. Sensação estranha, porque não sabemos se estamos no presente, passado ou futuro. Por esse real estado de confusão temporal, sempre iniciamos os assuntos com “Você sabia?” ou “Você se lembra?”. E depois de um bom papo atemporal ela me fala como será minha morte. Nada muito relevante no transcurso do sonho!

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Não entendo como a pessoa conversando, se irrita e nada atira, se explode e mata seu melhor amigo. Mulher louca. Pelo menos ainda tentei salvá-lo, mas só deu tempo chegar no Walfredo Gurgel.

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Outra vez na mesma casa. Final de tarde. Acordo e percebo que todos estão dormindo. Tenho a sensação que estamos em perigo. Vou checar as entradas e verifico a primeira não está trancada. Visualizo a segunda e percebo que está totalmente aberta, com acesso direto para a rua. Então saiu para fechá-la, mas não consigo. Porque não consigo? Que situação incômoda, ou melhor, perturbadora!!!!

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Sua presença sempre foi muito forte. No começo ela não falava, mas nem precisava. Nos comunicávamos somente através de olhares e expressões… talvez por pensamento. Vai entender, sonhos são assim mesmo. Ultimamente ela fala… pouco, mas já é alguma coisa. Quando ela “aparece” meu dia é diferente… nem melhor, nem pior, só diferente!