Quem pode, pode!


6Hoje quero falar de um assunto que está na moda: o empowerment ou, no nosso tupiniquim, empoderamento.

Essa palavrinha estranha tem alguns  significados: é o ato de dar poder a si mesmo ou a alguém (portanto é individual) e ao mesmo tempo, é ação coletiva e política  que possibilita a superação da dependência de alguém ou de algum sistema social; é também o ato de delegar autoridade a outrem. É importante ainda dizer que foi nosso amigo Paulo (Freire) que usou e popularizou o termo empoderamento no Brasil, como um neologismo do inglês empowerment.

Tudo isso é muito bonito num nível axiológico e também no discurso. Mas, quando é que realmente alguém se torna empoderado? Quando alguém toma para si as decisões que lhe são importantes? E o que contribui para que isso aconteça?

Vocês podem até rir de mim agora mas lembrei de He-Man e do Gato Guerreiro… Aliás, ultimamente ando muito ligada em personagens dos quadrinhos das antigas! He-Man tinha um bordão: “eu tenho a força!” Ele era um frágil moiçolo, um príncipe meio sem graça, que empoderado junto com seu gato, na verdade um tigre, enfrentava mil perrengues e ainda dava umas lições de moral no final. Mas o que é que He-Man tem a ver com empoderamento, afinal? (Acho que sou uma flor muito questionadora…)!  A questão é simples: para se empoderar o primeiro passo é se permitir. Ele virava o herói quando se permitia.

Uma vez que aceitamos que nos cabe tomar decisões, estamos prontos para buscar o conhecimento ou as condições que vão nos levar às melhores decisões num dado momento. E essas decisões são políticas no sentido da convivência, da distribuição e pactuação de poder num grupo, seja ele qual for.

Vamos exemplificar com coisinhas da nossa vida? Vejamos: um casal constrói um relacionamento. Nesse relacionamento as pessoas negociam em função da convivência, o que é natural. Perde-se poder aqui, ganha-se ali… Num determinado momento você olha para os lados e não se reconhece mais. E vem aquela vontade louca de virar a mesa, de voltar a comandar seu eu. E lá vai você em busca do seu poder de decidir. Para quem está de fora pode ser que aquele cabelo novo, o salto alto, ou o corpinho malhado pareça futilidade mas… Pode mesmo até ser! É direito seu ser fútil; é direito seu ser linda ou lindo; é direito seu ser feia ou feio também. É direito seu usar seu poder de decisão para estar no mundo, consciente dos seus desejos e sabendo que cada atitude sua tem uma consequência.

Empoderar-se não é simplesmente ter poder, no sentido da força do He-Man. É saber que o verdadeiro poder é o que pode tomar decisões sem medo de ser feliz! E talvez,  empoderado mesmo, seja o gato guerreiro que assume seu papel de coadjuvante porquê quer…

Autoconhecimento e controle das emoções


7De tempos em tempos surgem tendências, ideias ou palavras que, de maneira relativamente rápida, se tornam populares. Lembro que em 1987 foi lançada a Revista Superinteressante e a capa chamava a atenção para “A Revolução dos Supercondutores”, tecnologia aquela que iria revolucionar o mundo. Outro exemplo seria a palavra “Tsunami”, que já existia outro vocábulo na língua portuguesa com o mesmo significado – maremoto, mas que usualmente preferimos o primeiro termo ao segundo. Recentemente é comum ouvirmos muitas pessoas falaram sobre “empoderamento” e esse é o assunto que vou abordar hoje.

Empoderamento é uma palavra derivada do termo inglês “empowerment” e há quem afirme que é produto do neologismo do educador Paulo Freire. Atualmente essa é uma locução que alguns grupos sociais muito bem se apropriaram para manifestar seus interesses e legitimamente defendê-los. Eu diria que as expressões que podem dar sentido a esse conceito é autoconhecimento e controle das emoções.

Mas acredito que o processo de empoderamento pode acontecer tanto de maneira coletiva, através da mobilização e organização de certos grupos sociais, quanto individualmente, mas que espontaneamente um desses aspectos influenciará o outro – individual e coletivo.

Já tive a oportunidade de acompanhar como esse processo de empoderamento acontece, observando alguns amigos. Normalmente ocorre por um elemento motivador e se efetiva sempre de acordo com a individualidade de cada um. Há aqueles em que o fenômeno acontece de forma lenta, mas de modo continuo e equilibrado e outros de maneira abrupta a ponto gerar um estado de confusão. Também conheço algumas pessoas que resistem as mudanças, não querem deixar suas zonas de conforto, e simplesmente utilizam filtros para tornar realidades mais agradáveis.

Por fim, afirmando que o processo de empoderamento nunca é fácil, porque quem escolhe esse caminho abandona suas verdades, enfrenta novos desafios e descobre suas potencialidades latentes. Diante disso, faço uma alusão ao famoso “Mito da Caverna”, de Platão e a um diálogo entre o Agente Smith e Cypher, no filme Matrix, em que o segundo prefere ser feliz na ilusão de um ambiente virtual que passar as dificuldades e sofrimentos do mundo real.