Palavras, ações ou pensamentos?


15Meu querido amigo Tsun propôs que essa semana escrevêssemos sobre infidelidade. Não sei falar sobre esse assunto tão polêmico, porque sempre fui uma mulher bela, recatada e do lar, mas vou tentar. Apesar de zelar pela família e pelos bons costumes, não simpatizo com a palavra infiel e suas derivações – aquele que é desleal, falso, errado, fingido, enganador, segundo o Dicionário Michaelis.

Quero deixar claro que, mesmo defendendo a manutenção do casamento, entendo as dificuldades da convivência dos casais e o desgastes naturais que acontecem durantes relacionamentos mais duradouros. Confesso que já tive pensamentos impuros e descabidos, mas logo percebi que estava em tentação e afastei as ideias mundanas. Entretanto, aqui, posso compartilhar com vocês essas reflexões profanas…

Dos devaneios publicáveis, absurdamente cogitei que a monogamia no matrimônio (este é sacramento mais lindo de todos), poderia estar indo na contra mão da natureza humana, pois os homens (principalmente eles) são movidos por desejos e sempre queremos mais o que nos é incomum em detrimento ao que está mais próximo. Pecaminosamente, somos motivados por desejos que provocam sentimentos carnais como a paixões, curiosidade e admiração pelo outro. Então, a partir dessa lógica perversa, a sociedade por interesses diversos nos impõe um casamento que funciona como uma “prisão psíquica”, onde nossas essência mais primitiva é enclausurada.

Ainda compartilhando os pensamentos devassos de uma mulher que acima de tudo valoriza a castidade, acredito que essa masmorra mental causa muito mal ao corpo e a alma, se fazendo necessário sair dos “calabouços” e dar um rolê por ai, seja através das livres fantasias ou mesmo de relações furtivas.

Outro dia, quando comecei a ter essas ideias obscenas, ao procurar as escrituras para afastar pensamentos inapropriados, encontrei um livro antigo – não sei o nome do autor, mas lembro que era barbudo, fumava charuto, nasceu no dia 6 de maio de 1856, era médico judeu, viveu muitos anos na Áustria e morreu em 23 de setembro de 1939, na Inglaterra. Esse livro, que imagino não ser de Deus, falava de três elementos que regiam os processos mentais, dois deles parecia explicar os fundamentos dessas minhas divagações heréticas. O primeiro era um tal de ID, relacionado a características primitivas, ao inconsciente e ao prazer. Também dizia estar ligado aos impulsos sexuais instintivos. O outro era o SUPEREGO, que dá uma freada no ID, através de pensamentos morais e éticos, bem como impõe os valores sociais.

Esse livro do “judeu barbudo” foi o meu Moisés (um divisor de águas… fuga do Egito… Mar vermelho… entendeu?), pois fez com que compreendesse aqueles meus pensamentos impublicáveis. Relacionei as prisões e rolês com esse tal de ID e SUPEREGO, confirmando a afirmação que fiz inicialmente sobre a palavra infidelidade, que é muito dura e imprópria, quando usamos para julgar a complexidade do comportamento das pessoas diante de circunstâncias alheias ao nosso conhecimento.

Por fim, deixo a seguinte pergunta: as nossas “fugas” acontecem através de palavras, ações ou pensamentos?

Agora eu lembrei de minha amiga empoderada, Mary Madá. Outro dia ela me contou que Messias, seu crush, para defender sua honra diante de uma galera, perguntou: quem nunca?

Sobraram pedras…

Amém!!!

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