Eclipse oculto


15Minha amiga Hortênsia sugeriu que nós falássemos nesta semana sobre infidelidade. Penso que esse é um tema interessante. A infidelidade muda de significado de acordo com o tempo e com o contexto social.

No início do século passado, um homem procurar uma mulher fora do casamento era uma forma de poupar a esposa, uma vez que o papel desta era procriar. Com o passar dos anos e a evolução dos costumes, a infidelidade passou a ser vista como a quebra dos acordos numa relação a dois. E aí surgem muitos modelos de relacionamento: relações abertas onde se pode ter a liberdade do envolvimento com outros parceiros; relações tradicionais; relações casuais. Enfim, cada casal tem seus acordos e suas regras.

Fiquei pensando até onde vai o limite da infidelidade e isso me remeteu a uma situação que vivi em um momento da minha vida. Vou contar, preservando as pessoas.

Eu vivia uma relação com uma pessoa muito agradável e interessante a quem escolhi para compartilhar a vida. Num dado momento conheci uma mulher. Ela não tinha nada de mais. Não era mais bonita que a minha companheira, nem me pareceu mais agradável. No entanto fomos desenvolvendo tamanha afinidade que era difícil passar um dia sem conversarmos.

O tempo foi passando e o que começou com uma conversa casual motivada por um assunto banal tornou-se uma necessidade. Eu sabia que ela sentia a mesma vontade que eu de compartilhar aqueles momentos.

Por estranho que pareça nunca passamos das conversas. Como na música Eclipse Oculto, de Caetano Veloso, o receio provavelmente mútuo, de ir mais longe, nos paralisou…

 “E paramos no meio

Sem saber os desejos

Aonde é que iam dar

E aquele projeto

Ainda estará no ar…”

Aí, caros leitores e leitoras, pergunto a vocês: isto é infidelidade? Ou será que fui fiel, afinal? Se fui infiel, fui  a quem? A mim? A minha companheira? A ela? Ou fomos todos fiéis uma vez que nada aconteceu e ninguém ficou sabendo dos nossos incríveis momentos? Do nosso eclipse oculto?

Um comentário sobre “Eclipse oculto

  1. Gosto muito dessa história de vocês dois escreverem sobre um mesmo tema com enfoques diferentes. Acompanho o blog e geralmente você traz uma perspectiva bem pragmática dos assuntos. Me surpreendi com o seu eclipse oculto.

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