Perguntas sem respostas


14“A maçã” é uma música composta por Raul Seixas, Paulo Coelho e Marcelo Motta, lançada em 1975. A canção possibilita algumas interpretações sobre o seu sentido. A que mais me identifico é aquela que dimensiona a relação entre liberdade e amor.

Vejo Raul Seixas como um visionário, alguém que estava à frente do seu tempo, contestador dos padrões sociais de sua época, um sujeito mal compreendido. Parecia ser uma pessoa inquieta, em busca de mudanças e com ideias inovadoras – certamente suas características eram compartilhadas nas musical.

Cresci ouvindo Raul Seixas e as letras de suas músicas me faziam divagar. Eu me identificava com aquilo que ouvia, procurava outras fontes para subsidiar o conhecimento, buscava entender aquela nova percepção de mundo.

Diante de várias canções, “A maçã” foi uma das que mais chamou atenção – influenciou a forma como enxergo as relações. Seu conteúdo vai de encontro ao modelo tradicional de relacionamento. Achava as ideias apresentadas muito avançadas, dignas de pessoas com um nível de evolução e desprendimento além do meu. A lógica de você amar outra pessoa e ambas terem a liberdade para se relacionarem com outros indivíduos é utopicamente fantástica, afinal desejo e amor são sentimentos distintos, podendo ser personificado ou sentido de maneira coletiva. Além disso, desejamos sempre o que não está conosco – em um relacionamento, se considerarmos o outro como um objeto de desejo, fato bastante comum, poderia dizer que desejamos o que não temos.

Entretanto, meus amigos e amigas virtuais, confesso que por mais que seja simpático as ideias apresentadas na música não tenho maturidade emocional para viver uma relação nesses termos. Até admiro quem chegou a este estágio de evolução, mas ainda sou egoísta e possessivo, sendo inviável a prática proposta por Raul Seixas.

Também fico imaginando se há consequências emocionais para os casais adeptos dessa prática. Mas será que há algum tipo de implicação? E caso não exista, seria salutar? São perguntas que não sei responder…

Por fim, gostaria de compartilhar alguns aspectos sobre o “Maluco Beleza”:

Primeiro sobre o fato de dizer que Raul estava à frente do seu tempo. Há 43 anos ele fez uma música, junto com seus companheiros, que abordava a ideia do que hoje chamamos de poliamor e de pansexualidade – são práticas diferentes.

Outra situação que vale chamar a atenção é a interpretação de Raul, cantando a “A maçã”. Faz parecer que tem convicção de sua crença na liberdade das pessoas nas relações e ao mesmo tempo sofre por esse desapego (no trecho quando canta “Sofro, mas eu vou te LI-BER-TAR”).

O último aspectos é o que se refere a riqueza da letra dessa música, que nos faz refletir sobre questões como vaidade, ciúme, posse, julgamento, entre outras coisas.

E aqueles que não conhecem a obra de Raul Seixas, recomendo ouvi-lo sem moderação.

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