Sicronicidade: a surpresa que nasce na sua mente


11A proposta desta semana foi falar sobre sicronicidade. Então, é importante dizer o que significa essa palavrinha estranha. Para Jung, significava coincidência com significado, ou seja, não se trata apenas de eventos acontecendo juntos mas eventos que, mesmo em tempos diferentes, levam a um mesmo significado para que os percebe. Têm um conteúdo comum.

Sigo acreditando, como Jung, que quando há sicronicidade, nossa mente atrai aquilo que desejamos que aconteça. Pode chamar de sorte, de acaso, do que quiser. Pode também tentar explicar o que pra mim é inexplicável.

Essas coisas acontecem tanto comigo que às vezes são até engraçadas. Vários dos meus amigos são frutos dessas “coincidências” predestinadas. Um deles, me acompanha na vida há quase 30 anos. Estudamos nas mesmas instituições; nos reencontramos em vários empregos (e nenhum sabia que o outro iria estar lá) e pasme: nossos pais foram amigos na infância e nem sabíamos. Outro amigo muito querido foi meu vizinho em três lugares diferentes antes de me conhecer.

A sincronicidade muitas vezes é tão intensa com algumas pessoas que até os pensamentos parecem convergir para um mesmo ponto. É o acaso que de acaso não tem nada, funcionando na hora certa em que precisamos ouvir algo bom, melhorar emocionalmente, ter esperanças, descobrir força interior.

Nesse sentido há experiências tão marcantes que se eu acreditasse em vidas passadas diria que algumas coisas vêm lá de outras eras. Aquela coisa de você saber o que o outro vai dizer, o que está pensando, de completar frase. Aquela coisa de alma gêmea sem ser um só corpo. De ser água e óleo mas resultar em uma mistura muito diferente, que não é uma coisa nem outra. Uma coisa de estar no mundo do outro sem pertencer nem querer pertencer. De ser sem nunca ter sido.

É uma estranha sensação essa de haver sicronicidade entre duas pessoas. E isso merece um poeminha acróstico:

Sei que nada é real

Invenção não natural

Coisa estranha de saber

Realmente deve ser

Outra coisa, afinal.

Nada foi premeditado

Inspirado ou desejado

Conhecido ou coisa e tal.

Independente da vontade

Do lugar ou da cidade

Arretada essa vivência!

Essa sicronicidade!

 Abraços de uma flor para quem o mundo abre portas quando janelas se fecham.

Apenas coincidências?


11Sincronicidade foi um conceito desenvolvido pelo psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung definido como acontecimentos, aparentemente coincidentes, que se relacionam não por fenômeno de causa e efeito, mas por circunstâncias, com algum significado para o observador.

 Acho bem curiosa a história de Carl G. Jung e suas teorias. Em um certo momento ele se aproximou de Freud (dizem que o primeiro encontro entre os dois conversaram mais de 13 horas), mas posteriormente suas ideias divergiram e se afastaram. Carl G. Jung desenvolveu, entre outros, o conceito de inconsciente coletivo e de arquétipos, chamando a nova teoria que englobava esses elementos de Psicologia Analítica. Esses conceitos são bastante complexos, não tão populares como os desenvolvidos por Freud, e por muito tempo foram julgados como uma teoria um tanto “mística”.

Outro fato interessante, foi a aproximação do físico Wolfgang Pauli, paciente de Carl G. Jung. Eles associaram as teorias do psiquiatra com conceitos de Física Quântica, desenvolvidos pelo físico. Pessoalmente, acredito que a cooperação entre os dois fortaleceu as ideias de Carl G. Jung, vistas antes como místicas, proporcionando uma maior cientificidade a teoria.

Voltando ao assunto proposto, lembro a primeira vez que ouvi falar sobre sinconicidade. Foi através do livro “A Profecia Celestina”, que narra uma aventura mística no Peru, onde é encontrado um manuscrito com 9 revelações. Após esse primeiro contato, busquei subsídios para conhecer algumas teorias apresentadas no livro, entre elas a da sincronicidade. Com um pouco mais de conhecimento, simplesmente passei a observar as coincidências que ocorriam a minha volta e naturalmente fui associando a esse novo conceito. Aliado a isso, também vinculei outros tipos de eventos a novos conceitos agregados, um desses acontecimentos foi aquele que antes chamava apenas a “sorte”.

Penso que o leitor desse texto acredita que sou uma pessoa mística, entretanto posso afirmar que não. Sou um cético por natureza, acessível a novos conhecimentos e creio que para tudo há uma explicação lógica, se não existe é porque ainda não foi descoberta – também não adianta “inventar” teorias mirabolantes para forçar a compreensão de um evento ainda desconhecido.

Por fim, reafirmo que já vivenciei várias experiências sincronísticas e acredito que qualquer pessoa possa vir a tê-las. O primeiro passo seria procurar conhecer melhor o conceito, se aprofundando no assunto. Como consequência, naturalmente, as pessoas começam a observar os eventos que ocorrem a todo instante e correlacioná-los, percebendo que não se tratam apenas de coincidências e, a partir de então, poder ressignificar esses acontecimentos. Suponho que vale a pena experimentar.