Você não me surpreende mais!


10Me deparei hoje pensando em surpresas… Por que gostamos delas? Por que gostamos de fazê-las a alguém? Acredito que surpresas alegram a vida a vida. Dão graciosidade a momentos comuns. Temperam amizades e amores.

No entanto, já faz algum tempo que eu pouco me surpreendo com os outros. Em verdade, continuo gostando de proporcionar surpresas mas elas pouco acontecem comigo. Tudo parece ter ficado tão previsível…

Com a minha mania de observar as pessoas antecipo sentimentos, movimentos e ações o que tira muito do colorido das relações. Prevejo a resposta daquela amiga ao convite feito. Espero (e acontece) que aquele amigo se comporte de forma tal ou qual a uma determinada situação. Na rua observo movimentos e antecipo reações.  E assim vou vivendo numa mistura de Sherlock com uma pessoa comum que presta atenção demais nas coisas da vida.

Então fiquei pensando se o contrário de repente acontecesse. Se alguém me dissesse que eu não sou mais surpreendente. Imaginei esse diálogo assim:

“Você não me surpreende mais!
Já conheço todos os seus sorrisos: os tímidos, os audazes, os comedidos quase só com os olhos.
Não há mais nada de novo que você possa fazer.
Já sei tão bem dos seus olhares.
Do seu jeito de menina travessa que de repente se faz madura.
Da sua fala mansa, quase ingênua escondendo tanta força.
Nada em você me é novidade.
Nem tuas lágrimas no fim das frases difíceis.
Nem o riso tolo que esconde a timidez.
Nem o olhar astuto e as respostas rápidas.
Não adianta mudar de roupa, de trajeto, de modelo.
Tudo em você vai ser igual como um livro já lido muitas vezes.
Nem tuas flores Hortênsia, me surpreendem mais.
Já vi todas as cores e seus improváveis ardores.
Você não me surpreende mais!”

Imaginar esse diálogo abriu uma porta no meu eu para um lugar onde  não quero ir. Entendi que querer surpreender as pessoas, é uma forma de não querer deixar de ser surpreendente. O contraditório é que quanto mais observo, quanto mais controlo minhas reações e prevejo a dos outros, menos espaço dou para ter surpresas, para simplesmente deixar a vida correr sendo um peixinho num rio que um dia está profundo, no outro com águas claras, e depois deságua no mar. Meu jeitinho de Sherlock me tornou um previsível peixinho de aquário…

 

Um beijo molhado de uma flor confusa!

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Sem surpresas


9Definitivamente não sei falar sobre surpresas. Misteriosamente não sei porque nunca dei muita importância a isso. Mas preciso investigar esse caso, que deve ser raro, somente observado a partir do momento que me propus escrever a respeito desse tema. Na verdade, percebi que não me surpreendo com situações pontuais, todavia a surpresa acontece em momentos que envolvem coincidências e o que considero sorte – essas duas circunstâncias são frequentes para mim.

Analisando o que mencionei antes, compreendi que mentalmente estou sempre preparado para as reações, a partir das ações, tendo as respostas mais conveniente para as perguntas menos esperadas, por isso dificilmente sou surpreendido. Também é interessante enfatizar que já tive oportunidade de utilizar esse desencadeamento lógico em situações de tensão extrema, em que a maioria das pessoas não agiriam da mesma forma, penso.

Por fim, acredito que esse tipo de postura que inconscientemente adoto, se constitui em um comportamento meramente defensivo, porém, contraditoriamente, gostaria e espero sempre ser surpreendido positivamente por pessoas e pela vida – lembro que durante uma sessão foi mencionado que meu superego era muito forte, talvez seja essa a explicação para as pessoas que se comportam de maneira tão defensiva.