Liberdade! Abra as asas sobre nós


7[1417]Acredito que não existe um estado de liberdade absoluta. Também desconfio que se existisse não seria nada bom. O próprio princípio da liberdade individual é limitado quando interfere na de outras pessoas. Então, de maneira alguma devemos fazer tudo que queremos, sem antes haver uma ponderação das consequências de nossas atos.

Mas as coisas nem sempre funcionam dessa maneira, normalmente não somos certinhos assim. Racionalmente o que escrevi acima está perfeito, mas a todo momento sofremos enormemente a influência das emoções. Está aqui a origem do conflito: fazer o que está certo ou o que queremos e nos dará prazer? A liberdade, neste caso, é restrita a questões éticas e morais. Além disso é certo que aquilo que é proibido naturalmente é um elemento que causa excitação.

Para tentar contextualizar as afirmações anteriores, não vou sair do padrão e farei mais um texto autorreferente.

Tive uma adolescência com liberdade e responsabilidades. Digamos que quando saia da linha, o universo conspirava a meu favor. Em uma fase posterior, alguns aspectos mudaram e me tornei um sujeito deveras inconsequente e impulsivo. Não media esforços para fazer aquilo que me apetecia e pouco dava importância as consequências das minhas ações. Confesso que me envolvi em aventuras e trapalhadas. Buscava experimentar o pleno exercício da liberdade e acreditava que o mais importante era viver de forma intensa – hedonista de carteirinha.

No transcurso dessas etapas, depois de algumas experiências e talvez por causa delas, houve uma transformação, talvez tenha amadurecido. Como diz minha amiga Hortênsia, hoje tenho raízes e asas, passei a dar mais importância ao que os outros pensam e sentem. Acredito que adquiri um razoável nível de equilíbrio, condição que construí e me faz bem.

Outro dia, em uma conversa com Nobre Sociogoga foram citados Michel F., Jean S., Jacques R. e outros amigos dela. A partir dessa troca de ideias, entendi que nascemos livres e o germe da liberdade permanece conosco até nossos últimos dias; que somos livres para fazermos escolhas, mas não totalmente para lidarmos com as consequências emocionais subsequentes.

Por fim, espero manter o atual estado de equilíbrio e tranquilidade por muito tempo, pois é sabido que “prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo – citando mais uma vez Raulzito e, como diz aquela outra melhor amiga: “se espalhar e difícil juntar”.

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