Finitude


6Como somos seres em constante evolução, estou frequentemente reformulando os conceitos que criei ao longo da vida. Acho interessante esse processo, porque normalmente não descarto por completo minhas ideias originais, apenas vou agregando novos elementos e, dessa forma, acredito que vou me transformando em uma pessoa melhor.

Esse processo que mencionei, aconteceu quanto ao que pensava sobre as motivações que as pessoas tem para viver. Não estou me referindo aos motivos pontuais, como os elementos específicos que nos fazem gozar de um aceitável equilíbrio bio-psico-social. Claro que esses são aspectos fundamentais.

Inicialmente, acreditava que todas as relações humanas aconteciam motivadas apenas em função da sexualidade. As pessoas, inconscientemente, buscavam equilíbrio financeiro e todas os benefícios proporcionados por essa situação, ter uma boa saúde e ser uma pessoa interessante apenas para encontrar outras que pudessem manter um relacionamento. A partir desses impulsos havia duas alternativas: conhecer muitas pessoas e aprender com elas e a outra, que seria consequência da primeira, encontrar uma parceira ou parceiro para manter um relacionamento mais duradouro, por tempo indeterminado. Simples assim.

Pois bem… recentemente tenho refletido muito sobre a morte. Deixe eu explicar… Pensado especificamente nos processos que adotamos enquanto vivos, em função da certeza da morte. Então, passei a acreditar que estava enganado. Não somos motivados pela sexualidade, mas sim pela percepção da nossa finitude.

A certeza da morte é o combustível para vivermos, porém creio que não temos essa percepção e nem seria salutar que tivéssemos. Precisamos fazer tudo, antes que a nossa hora chegue, necessitamos deixar um legado… perpetuar a espécie e consequentemente as nossa características genéticas, é importante fazermos o melhor para as próximas gerações usufruírem e, principalmente, praticarmos boas ações para garantir um, possível, futuro mais tranquilo após a morte – tipo uma poupança.

Complementando essa sequência de ideias, imagino também que essa evolução de pensamento acontece de acordo com a etapa de vida de cada um. A criança basicamente tem preocupação em brincar e se desenvolver, o adolescente e o jovem adulto está focado em se afirmar em vários aspectos, com a aproximação da velhice as pessoas começam a se preocupar com a finitude.

Como diz o Maluco Beleza, na música Canto para a Minha Morte:

“Vem, mas demore a chegar.

Eu te detesto e amo morte, morte, morte

Que talvez seja o segredo desta vida

Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida.”

P.S.: desde criança escuto essa música… acho interessante, ela me fez pensar sobre o assunto.

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