Quando o improvável acontece


7Há fases na vida em que a linearidade dos acontecimentos parece nos abandonar e as mudanças acontecem de forma avassaladora. São fases em que o improvável teima em dominar a cena.

De repente, você que está com a vida toda planejada, relações possíveis, estabilidade, vê tudo sair do lugar. Não estou falando aqui das crises existenciais nem das financeiras, tampouco daquelas mudanças que, de certo modo, estão desenhadas, como as mudanças de emprego, a morte ou o fim de um relacionamento.

Falo das improbabilidades que acabam por nos tirar do sério, que nos fazem desconhecer um pouco quem somos e mudam nossos desejos, nos transmutam mesmo que externamente tudo pareça igual.

Essas mudanças não lineares mudam o brilho nos nossos olhos, alteram sonhos e nos assustam, pois nos fazem conhecer aspectos antes adormecidos no nosso inconsciente. E diante do improvável tudo fica misturado: medo, coragem, razão, emoção.

Você, leitor, talvez esteja pensando que o improvável não acontece para todo mundo. Eu acredito que sim: que acontece. Desde os amores improváveis, até as amizades inusitadas até sentimentos inesperados e afinidades inexplicáveis. E indo para coisas mais palpáveis: o improvável às vezes aparece naquela oportunidade que nem sequer ainda havíamos avaliado conscientemente mas nos leva a uma escolha intuitiva; nos acontecimentos que atribuímos ao acaso e acabam tendo grande repercussão na nossa vida; em eventos não planejados que acabam trazendo profundos ensinamentos ou grandes desgostos.

Uma coisa é certa: quando o improvável acontece você é testado em seus limites. Sua resiliência é posta à prova.       Sua inteligência é aguçada. Sua imaginação flui. Seu autocontrole pode se fazer necessário. E se você se permitir lidar com o improvável, sempre vai sair uma pessoa melhor que antes. Mesmo que depois de tudo sinta uma pontinha de insegurança e aquela vontade enorme de receber os parabéns e um abraço “de gente”.

Para terminar minha conversa de hoje, gostaria apenas de dizer que provavelmente seja improvável, você leitor ou leitora, provar de um amor exótico sem ser tocado, ser tomado de uma amizade ou afinidade intensa sem ser em alguma medida transformado. Lidar com o improvável é como sentir o veneno das hortênsias: pode fazer mal, mas também pode ser alucinantemente delicioso!

Possibilidades


6Realmente eu não sei se algo acontece por acaso. Sempre ouvi que não, mas nunca aceitei bem essa ideia. O conceito de determinismo incomoda e o de livre-arbítrio reforça minha incerteza. Enquanto o primeiro podemos associar ao destino (não devendo nos importar muito com o que acontecerá em nossas vida, porque tudo já esta determinado) o segundo tem como principal argumento a possibilidade das escolhas.

No momento, prefiro esquecer essa história de destino e focar no livre-arbítrio e, consequentemente, nas escolhas. Sim, tenho a faculdade de fazer escolhas e essa opção só diz respeito a mim. São minhas decisões e elas não são influenciadas por ninguém ou mesmo por nenhum outro aspecto extrínseco. Ledo engano, Tsun! Tudo que fazemos tem uma causa, questões genéticas, sociais e psicológicas determinam a nossa essência. E essa “conteúdo” nem sempre temos a possibilidade de entender ou controlar.

Também, ocorrem fatos alheios a nossa vontade e controle (um acidente automobilístico ocasionado por  de falta de freio no veículo ou um ataque cardíaco) ocasionados em consequências de fenômenos aleatórios que convergem para um determinado acontecimento.

Então não temos como fugir do incomodo determinismo. Mas ainda há uma luz no fim do túnel… são as benditas variáveis, que por serem tão diversas, possibilitam uma infinidade de caminhos misteriosos. Se não conseguimos fugir do determinismo tendo em vista que ele é estabelecido através de uma sequência de acontecimentos, ao menos as variáveis minimizam ou quase aproximam sua influência a zero. Esclarecendo que em uma cadeia de acontecimentos simples pode ser definido um começo, meio e fim, mas diante da complexidade das relações humana as probabilidades tendem ao infinito.

Acredito que a mistura dessas variáveis proporciona o sentido da nossa existência e extingue de vez por todas a chatice de parecer que já nascemos com um script.