2018, não precisa ter pressa…


5Falar sobre expectativas para um ano novo que inicia é um desafio para mim. Há nisso dois componentes: o final de um ano e o início de outro. Para ter expectativas para um ano novo, preciso reconhecer que há uma transição de um ano para outro e é aí que nasce o problema…

Tenho uma enorme dificuldade com finais de ano. Aliás, tenho dificuldades com finais… Finais de novela (perco o último capítulo); de livros (leio o fim e depois volto para o começo); de relacionamentos… O fim do ano, como qualquer outro final, não faz o menor sentido. Não quero que ele acabe. Sinto medo que as coisas mudem, que pessoas importantes desapareçam da minha vida. Que momentos importantes sejam esquecidos por aquelos a quem quero muito bem.

Inícios também são muito complicados… Novamente, inícios me remetem a novelas das quais não gosto de assistir os primeiros capítulos, textos que ansiosamente devoro e a relacionamentos. Tenho muita dificuldades com esses últimos.

Meu sincericídio já detonou algumas situações que poderiam ter sido vividas com mais calma. Minha ansiedade e medo do abandono já me fizeram dizer o que não deveria ser dito e calar o que deveria dizer.

Expectativas para 2018 me remetem a essas situações que são muito angustiantes. Não quero ter expectativas. Quero viver. Quero sentir as emoções do caminho do meio. Não quero me angustiar com o que não fiz no ano que está terminando e nem sonhar com o que farei no ano que está nascendo.

Quero estar, não no recuo das águas do tsunami, nem tampouco na quebrada destruidora das ondas. Quero permanecer naquele momento em que o mar está calmo e sereno e a marola nos embala. Quero permanecer na transição.

Quero florescer. Não quero ser a flor a se despetalar com o fim da florada no ano velho nem quero ser o botão ainda por se abrir no ano novo. Quero estar florida, feliz, plena, em 2017, 2018, 2019 e quantos anos puder viver… E se me for permitido, dormirei enquanto todos comemoram, ligando o ontem e o amanhã com um lindo sonho, sem pressa para acordar…

Melhores dias virão


5Segundo minha amiga Hortênsia, eu complico o que é simples. Concordo com ela, mas essa característica vai além. Apenas não me detenho no óbvio e não há nenhum esforço em ser assim.

Uma dessas “complicações” é que percebo o transcurso do tempo como um fluxo linear. Diria que eu me agrado mais em perceber e interagir com as ocorrências naturais como a passagem dos dias, períodos em que a temperatura está mais quente ou com mais chuva, etc. Por isso não dou muita importância as datas comemorativas, para mim é um grande esforço desejar, apenas naquela data, que as pessoas sejam mais felizes ou mesmo comprar um presente porque tenho que comprar e não porque espontaneamente tenho vontade.

Acredito que deu para entender. Ou não?

Senti necessidade desse esclarecimento para explicar que não crio expectativas de um ano para outro, muito menos estabeleço metas em decorrência dessa “passagem”. Minhas metas são simples, continuadas e mutáveis – não sou escravizado por elas, a não ser que eu queira participar do meu “programa de escravização voluntária”. O hoje é consequência do que aconteceu ontem e do que queremos amanhã, então o agora tem um certo “determinismo arbitrário” – isso é tão óbvio, mas se não pensarmos sobre isso, passa despercebida a ideia e suas implicações.

Essa minha praticidade diante de alguns aspectos da vida as vezes assusta as pessoas que convivem comigo, outras vezes somente incomoda. Porém, apesar de não parecer para quem está lendo esse texto, sou bastante otimista, consequentemente mantenho minhas esperanças. Acredito normalmente que a situação pode melhorar e que, caso se faça o que tem de ser feito, poderemos sair de uma circunstância difícil para uma melhor. Se essa situação depender apenas de mim, tenho certeza que tudo vai ser resolvido da melhor forma, mesmo que aparentemente tenha dado errado.

Então, quantos minhas expectativas para um futuro próximo (2018, por exemplo) é que, coletivamente, teremos dificuldades, mas somente nós podemos mudar nossa realidade. Acredito que há muito a fazer e precisamos melhorar sempre. Para que isso aconteça é necessário trabalharmos questões pessoais, como diminuir o desapego, fortalecermos o sentimento de humanidade, focar nas questões mais importantes deixando os ideias de superficialidade que todos os dias nos são impostos, desenvolver uma postura crítica (inclusive de si) sobre os acontecimentos que ocorrem diariamente, além de outras coisas, claro. Sei que estamos longe de retomarmos o curso de uma evolução mais significativa, que é um caminho difícil, que essas ideias podem ser utópicas, mas acredito nelas e em algum momento precisaremos começar esse processo individual para que possamos nos transformar em instrumentos de mudanças coletivas.

Antes que esqueça, ainda sobre a ideia de tempo linear, datas são importantes para mim apenas elementos referenciais, marcos para me situar e conseguir conviver em sociedade.

Que sejamos mais felizes a partir de agora!