Libertas quae sera tamen!


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Liberdade… Como essa palavra mexe comigo! Têm tantos significados que nem sei bem como começar a falar sobre isto. Então vou falar sobre os meus sonhos com a liberdade.

Outro dia tive um sonho lindo! Sonhei com uma situação bem interessante em que me libertava de todos os grilhões que me aprisionam, uns porquê assim escolhi e outros porquê não pude evitar. Pois é: sonhei me libertando de todos eles. No sonho eu simplesmente dizia um tremendo e sonoro Não e ia caminhar numa beira de praia com um lindo pôr do sol a me iluminar.

Meu Não para uma situação que eu não desejava mais, no sonho, foi um Sim para mim. Eu estava dizendo: agora faço minhas escolhas; sou dona do meu tempo, meus desejos, minhas razões. Acordei maravilhada, plena, feliz!

Como nem tudo é perfeito, no dia seguinte sonhei com a volta dos grilhões… No sonho eu simplesmente cedia a uma chantagem e abria mão do que eu queria em favor dos desejos e razões de outros. Evidentemente acordei péssima!

Passei dias pensando sobre isso e querendo compartilhar os sentimentos…

Hoje amanheci o dia com vontade de cantar: ” liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós…” Aí lembrei que as asas só vão se abrir se eu deixar, se eu quiser. E para querer eu preciso aprender desapegar de algumas raízes que me aprisionam, que me tolhem.

Isto não significa em absoluto deixar de ser quem sou ou mudar meus valores. Ao contrário, significa exatamente assumir quem sou e não o que os outros querem que eu seja. Aprender a dizer não, quando o não for necessário, e a dizer sim, quando fizer bem a mim.

Portanto, meus queridos amigos, não se surpreendam se me virem por aí enrolada na bandeira do Estado de Minas: libertas quae sera tamen! Liberdade ainda que tardia…

Beijos de uma flor em paz!

Liberdade! Abra as asas sobre nós


7[1417]Acredito que não existe um estado de liberdade absoluta. Também desconfio que se existisse não seria nada bom. O próprio princípio da liberdade individual é limitado quando interfere na de outras pessoas. Então, de maneira alguma devemos fazer tudo que queremos, sem antes haver uma ponderação das consequências de nossas atos.

Mas as coisas nem sempre funcionam dessa maneira, normalmente não somos certinhos assim. Racionalmente o que escrevi acima está perfeito, mas a todo momento sofremos enormemente a influência das emoções. Está aqui a origem do conflito: fazer o que está certo ou o que queremos e nos dará prazer? A liberdade, neste caso, é restrita a questões éticas e morais. Além disso é certo que aquilo que é proibido naturalmente é um elemento que causa excitação.

Para tentar contextualizar as afirmações anteriores, não vou sair do padrão e farei mais um texto autorreferente.

Tive uma adolescência com liberdade e responsabilidades. Digamos que quando saia da linha, o universo conspirava a meu favor. Em uma fase posterior, alguns aspectos mudaram e me tornei um sujeito deveras inconsequente e impulsivo. Não media esforços para fazer aquilo que me apetecia e pouco dava importância as consequências das minhas ações. Confesso que me envolvi em aventuras e trapalhadas. Buscava experimentar o pleno exercício da liberdade e acreditava que o mais importante era viver de forma intensa – hedonista de carteirinha.

No transcurso dessas etapas, depois de algumas experiências e talvez por causa delas, houve uma transformação, talvez tenha amadurecido. Como diz minha amiga Hortênsia, hoje tenho raízes e asas, passei a dar mais importância ao que os outros pensam e sentem. Acredito que adquiri um razoável nível de equilíbrio, condição que construí e me faz bem.

Outro dia, em uma conversa com Nobre Sociogoga foram citados Michel F., Jean S., Jacques R. e outros amigos dela. A partir dessa troca de ideias, entendi que nascemos livres e o germe da liberdade permanece conosco até nossos últimos dias; que somos livres para fazermos escolhas, mas não totalmente para lidarmos com as consequências emocionais subsequentes.

Por fim, espero manter o atual estado de equilíbrio e tranquilidade por muito tempo, pois é sabido que “prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo – citando mais uma vez Raulzito e, como diz aquela outra melhor amiga: “se espalhar e difícil juntar”.