Então é Natal…


4Fim de ano. Festividades. Retrospectivas. Reflexões. Promessas.

As confraternizações começaram. Confraternizações para mim sempre são momentos esquisitos. Me sinto meio deslocada com a alegria que paira no ar, às vezes desconectada do que realmente estou sentindo. Nos finais de ano muitas vezes fico incomodada com as mil manifestações de bons sentimentos que não perduram ao longo do ano. Nunca entendi, por exemplo, por que as pessoas só lembram de ajudar os mais carentes no Natal. Depois do Natal a solidariedade some novamente para voltar no Natal seguinte.

Do mesmo modo acontece em alguns ambientes de trabalho. Mil conflitos e no Natal, lá vem o amigo secreto, que de tão secreto não se faz presente no resto do ano.

Algumas situações chegam a ser patéticas e engraçadas com o “amigo secreto” sorteado sendo o inimigo explícito de cada dia e fazendo quase juras de amizade eterna…

Fazendo uma retrospectiva dos meus natais, por mais que eu me esforce só lembro que eles sempre foram repletos de faltas. Faltas de abraços especiais de pessoas que perdi ao longo da vida. Falta de coragem para tomar decisões pessoais. Falta de realizar alguns sonhos (mesmo sabendo que alguns são somente devaneios). Sobram presentes, a ceia, até os amigos que são muitos e muito queridos, porém existe uma falta em mim que não sei explicar direito.

No entanto, contraditoriamente, na mesma medida da falta existe um outro lado meu, objetivo e pouco sonhador, que me mostra alguns excessos. E talvez sejam eles, os excessos que me levam às faltas. Entre eles o trabalho que amo mas que me esconde de outros aspectos da vida. O trabalho que é fuga da realidade embora seja tão palpável. Estou lá de corpo e alma. Sou querida. Sou uma profissional de sucesso na minha área. Mas quanto mais racionalizo e produzo, mais me afasto de mim mesma. Da pequena menina sonhadora esperando ganhar um livro no Natal. Da menina que trocaria a profissão por uma casinha numa praia onde pudesse andar descalça na areia e sentar para ver o sol se pôr.

Acho que é isso! Todo Natal sinto falta de mim. Do que gostaria realmente de ser e do que me tornei em razão das amarras que escolhi ter e das grades que construí em meu entorno. Então todos os anos me faço promessas. Prometo cuidar mais de mim, ser menos workaholic, emagrecer, fazer coisas mais prazerosas, ser mais generosa para quem é presente na minha vida e mais ausente para quem não se importa com a minha presença. Prometo tudo e acabo não fazendo quase nada disso.

Nesse Natal, em especial, vou me fazer uma única promessa: prometo que enquanto resistir serei flor. Que desabrocharei em sorrisos e perfumes sem preocupações com presente, passado ou futuro. Vivendo um dia de cada vez. Prometo que sendo flor, aproveitarei a brisa que vem do mar sem me preocupar se com ela vem o orvalho molhar meus olhos ou se essa mesma brisa marinha vai apenas me impedir de sentir o sol ardendo e queimando minhas pétalas até nada restar. Viverei como flor: sem  preocupações. Só viverei! Como uma hortênsia…

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