Falando em como não se apaixonar…


2Vamos conversar um pouquinho sobre não se apaixonar? Para falar sobre isso tomo a liberdade de falar sobre minha vida e minha relação com os meus amigos homens. E minhas amigas que me desculpem mas sempre gostei mais de ter amigos homens. Entre eles há um, em especial, que admiro muito.

Meu amigo é prático, racional, comedido, pensa em tudo. Pensa até demais…

Admiro imensamente sua forma de parecer controlar o incontrolável. Sua aparente serenidade em tudo que faz lhe dá um ar de monge. Tem ainda uma forma de falar de quase dizer tudo, perguntar muito e não revelar coisa nenhuma que o faz misterioso. Isto o faz ser um dos homens mais encantadores que conheci na vida. É lindo, eu diria, mas o mais bonito dele é sua mente brilhante.

Daria meu reino para conhecer seus pensamentos pois imagino que ele pense que se apaixonar é desnecessário, ou quem sabe, inoportuno, para um homem.

Sabe aquela sensação maravilhosa de esperar alguém com borboletas no estômago? E a vontade de dizer nada de importante só para ouvir a voz, de ligar no meio da tarde para perguntar se tá chovendo só para sentir pela voz se o outro ficou feliz? Sabe aquela coisa de saber que se a ponta dos dedos se tocarem a energia de um fio desencapado vai percorrer seu corpo? E o melhor de tudo: sabe a sensação de que toda música, todo filme, todo livro fala de vocês? Pois é… Meu amigo Homem (vou chamá-lo assim) parece não se permitir sentir, o que não é incomum aos homens.

Às vezes penso que algumas pessoas bloqueiam, não sei por que, essas sensações maravilhosas que só quem está apaixonado sente.Tenho até uma teoria para o bloqueio. Talvez seja porquê apaixonar-se é tornar-se bobo, vulnerável, deixar um pouco de ser o “eu” e virar um “nós”. Acho que às vezes isso é tão atemorizante para alguns quanto o veneno das hortênsias ou a força de um tsunami. É incontrolável, imprevisível, insustentável, arrasador, por vezes. Mas é também delicioso o despertar de uma paixão… E não importa se ela vai se materializar em atos ou se viverá somente no reino dos pensamentos. A paixão é transformadora, geradora de mudanças, pois ao contrário do amor que dá estabilidade ela altera as bases e isso é assustador.

Penso mesmo que você não sabe quem é de verdade até se apaixonar por alguém pois paixão é conflito interno; é choque entre o que você conhece de si mesmo e o que desconhece e existe ali latente.

Como me identifico com as hortênsias, que se transmutam conforme o solo e o tempo, eu diria ao meu amigo: permita-se. Deixe-se encantar pela incerteza das cores, pelo mistério das flores, pelo perfume no ar.  Viva! Pois como disse Carpinejar, só há uma forma de evitar se apaixonar: é não viver.

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