De passagem


Chegue logo que a vida é breve.

Venha com seu sorriso mais bonito e me faça escrever poemas.

Vamos brincar de ver o dia amanhecer, de pegar o sol com a mão.

Repletos de amor, vamos fingir que nos conhecemos há séculos!

Vamos tomar café com aquele ar de intimidade suspeita dos amantes.

Depois vamos nos separar com um abraço e seguir em frente.

Vá embora que a vida é curta.

Mas não pense que está indo de vez, porquê não está.

Você está aqui e eu aí.

Estamos dentro um do outro agora.

Você está no que aprendi, e eu, no que você mudou.

Você está no que negou, e eu, no que pensei que já sabia.

Você está nos meus pensamentos, e eu, nas suas ações.

Estamos um no outro porquê o tempo não volta.

O momento é líquido.

O sentimento é insano.

E estaremos um no outro para sempre.

Mesmo sem jamais estarmos juntos.

Transitoriedade


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Transitoriedade das relações pessoais. Não é simples escrever sobe esse assunto, mas vou enfrentar como mais um pequeno desafio.

A verdade é que nunca fui sociável, de maneira geral as pessoas me cansam – algumas muito rapidamente e outras durante a convivência. Até mesmo familiares. Isso mesmo, sou chato… introspectivo e crítico. A boa notícia (não sei para quem) é que já fui bem pior.

Mas a medida que fui organizando as ideias para escrever, recordei de pessoas que para mim foram importantes. O interessante é que não necessariamente lembrei daquelas que conviveram mais tempo comigo, as que considero muito inteligentes, bonitas, amáveis, habilidosas ou por outros tantos motivos óbvios. Digamos que o meu critério inconsciente foi “escolher” aquelas que por algum motivo passaram, deixaram marcas e se foram. Pessoas com quem rapidamente desenvolvemos uma grande afinidade, mas que por circunstâncias da vida convivemos pouco, deixando a lembrança do que poderia ter acontecido. É estranho ter saudade do que não houve e saber que aquela relação precocemente interrompida possibilitaria uma incrível troca de experiências e crescimento individual. Não é conveniente citar nomes, mas o que eu gostaria mesmo é de um dia ser capaz de expressar a cada uma dessas pessoas o quanto foram importantes e dizer que a ausência delas deixaram lacunas emocionais, impossíveis de serem preenchidas.